Luto, tristezas e uma certa paz - 19

Quando chegamos ao lugarejo onde ela seria sepultada bateram a porta do carro e meu dedo mínimo, exatamente na unha, foi amassado. Imediatamente o dedo inchou e manchou-se de púrpura, de púrpura dor por debaixo da pele, que não se rompeu. Era o destino de dores que se davam as mãos. Deram-me gelo, abraços, palavras, cantos, condolências, rezas, e latejavam, sem descanso, as dores. Meu Deus! Os dias passaram, dois meses e meio e a pequena mancha ainda desenha as cores do adeus na unha.  Não dói... mas, ah!, se houvesse um descanso, uma possibilidade de alívio... Não há, eu sei, só haverá talvez um arranjo ao modo de arte em que se pinta a vida de amor, amor que dá sentido de poesia a esse fosso imenso que nos separa com silêncios.

4 comentários:

Eurico disse...

Talvez mais perto e mais por dentro de ti do que esse silêncio...

Abraçamigo.

Paula Barros disse...

Ler provoca emoção. Ler ouvindo a música é mais emoção.

Tenho a impressão que a medida que o tempo vai passando você vai conseguindo fazer mais arranjos com a sua arte. Faz buquês de poesias.

abraço!

Paula Barros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
EDER RIBEIRO disse...

A imagem do machucado na unha me veio a lembrança do desencarne do meu avô, sabíamos que sua partida estava próxima e sobre nós abateu um silêncio, como quem nos escondessêmos dessa verdade, a sua partida. Então ficou um machucado que não cicratizava, porém, com o passar dos anos, ele próprio, o seu amor que ele tanto nos distribuiu foi cicratizando. Querido Dauri, lhe acompanhar nesse momento de aprendizado me enriquece muito como pessoa humana. Ave Mari, Ave Dauri. Abçs.