Luto, tristezas e uma certa paz - 20
Dei-me um pensamento a teu respeito, mãe. Como uma tarde que presenteia a sala com sombras silenciosas dei-me este pensamento. E quando me dei foi com surpresa que me vi com o pensamento nos olhos, na boca, na alma sem saber o que fazer. Quase sem voz é este pensamento, sem muitas voltas, fios de algodão em trama artesanal, um pensamento diluído em ondas azuis no vazio da tua casa. Pensei em tuas mãos, veja só estes sentires do luto, pensei em tuas mãos, e ainda estão aqui no meu pensamento como música que canta o amor, tuas mãos, tuas mãos refazendo a planta numa nova muda, adensando sobre as raízes a firmeza de um punhado úmido de terra.  

4 comentários:

EDER RIBEIRO disse...

E assim querido Dauri, vai corpificando o que permanece na alma, nos sentires a presença da amada mãe. Abçs.

EDER RIBEIRO disse...

Dauri, eu voltei pq não me expressei bem no comentário acima, qdo eu disse corpificar, quero dizer que a presença de sua mãe é mais intensa no pensar e no sentir substituindo a dor pela perda física. Abçs.

das coisas que escorrem da boca... disse...

às vezes me sinto pequena demais pra lidar com minhas perdas, mas te lendo começo a perceber que falar/escrever sobre a dor (ainda que eu não saiba fazê-lo tão bem qto vc) ajuda a elaborar o luto.
te desejo força e inspiração e mais elaborações.
beijo

Paula Barros disse...

Dauri, "dei-me um pensamento a teu respeito".
Nunca imaginei um pensamento desta forma. E me chamou a atenção.

....e o texto todo, em cada frase, nos leva a ver as imagens, a sentir...

Ah, benditos os teus pensamentos, que podemos ler...e o restante é feito puxar um fio de um novelo...é emoção, emoção...