Uma palavra se esforça para cair na página,

fica ao lado como um fio
de cabelo que a circunferência da água
em redemoinho não consegue puxar
para o centro da pia, para o vazio do ralo. A palavra

esvazia-se de pretensões,
mas ainda não de toda pretensão,
é só um espasmo de cordas, mas é,
espasmo de vogais,
talvez um ai, e nada mais. De viver

Ai de viver. Ar de sofrer, Ah,
morrer não, morrer sim, mas então, uma
palavra na página apenas
para ser um som, um sinal
da vida, da via, da dúvida, da poesia.

O fio de cabelo gruda-se na pia,
escreve um risco

2 comentários:

Dauri Batisti disse...

Estou postando aqui seu comentário Amigo Eurico, obrigado pelo carinho-amizade.

Segue o que vc me mandou por e-mail:

Não consegui comentar no teu blog.
Parece-me que só consigo qdo há a janelinha pop-up.
Mas aqui está o comentário:


Um risco inscrito no fundo do lavabo...
As tuas imagens de volta, a inquietar-nos.
Teu ostraniene, teu jeito de fazer pasmar com o que nos é familiar.
Bom ter vc por aqui, Poeta.

Com um abraço fraterno,
Luiz Eurico de Melo Neto

Eurico disse...

Grato, amigo.
Esses pequenos gestos nos animam numa sociedade que se esquece do afago e da sua função dentro da vida.
O cuidado com o meu comentário é uma gentileza que me faz bem.

Abraçamigo e fraterno.