Assim, garantida de apertos e sopros
fica a pergunta na expansão
e contração do peito:

Me quer
Não me quer
Me quer Não

me quer
Seguir em frente seguir
com os olhos no horizonte
na borda menos cortante do entardecer

pela janela da lanchonete
Tomar um café encostado no vidro e
pensar até a noite cair. Demorou um século

a chegada daquela noite. Ouviu-se
um baque de cores densas
e vozes baixas. Ela caiu ao som de uma música

totalmente inadequada.
Então, era hora
de ir – ele se foi -
pela noite adentro.

Um comentário:

Eurico disse...

A flor do campo escondida no verso e a poesia que escapa das palavras-coisas mais triviais.
Esse é o estranhamento de que falam os teóricos. Mas que só conseguem os Poetas, como tua, Amigo.

Um forte abraço.