Luto, tristezas e uma certa paz -12
De um modo ou de outro tenho que disfarçar o luto, a saudade. Acho que tenho disfarçado bem. Agora, enquanto escrevo, me pego sem disfarce. Tem um aperto bem aqui, você sabe. Se a escrita me introduz em mundos novos, também ela me lancina. Olho para o lado do teclado e vejo uma barrinha de chocolate amargo. Tomo-a e como. Lembro da versão bem humorada de uma expressão que costumo usar ao defender a preferência por sabores amargos: de doce basta a vida. Ah, de doce basta a vida... Ao mesmo tempo, nesses fluxos infindáveis de uma noite que sobre mim se estendeu sem aviso, me vem à mente o início de uma oração do famoso Cardeal inglês, Newman, que há muito não rezo: Conduze-me doce luz, através das trevas que me cercam, conduze-me cada vez mais longe...